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Ainda dá tempo de…

Outubro é o começo do final. Com os prazos se aproximando, agora só resta finalizar o que você vem fazendo nos últimos meses e enviar sua candidatura às universidades. Antes de clicar no temeroso botão de “send“, porém, não deixe de dar uma olhada na lista abaixo, em que listamos coisas que você ainda pode fazer nesta reta final.

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Já pediu suas cartas de recomendação? Se não, melhor procurar seus professores logo; o fim do ano é uma época particularmente exigente do ano letivo para eles, e sua carta vai precisar ser encaixada entre formulação e correção de provas, simulados, aulões e revisões. É importante também informar ao professor, com calma, o tipo de informação que a carta deve conter e o tom em que deve ser escrita; nem todos os professores já fizeram isso antes. Mantenha contato com seu professor e esteja atento aos prazos (seus e dele).

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Os prazos para entrega da sua candidatura variam muito, não só entre instituições, mas, às vezes, entre os tipos de documento a ser entregues à mesma instituição. Por isso, fazer um calendário, tabela ou lista com todos os prazos de cada universidade pode ser de grande ajuda.

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Após preencher seus formulários, aguarde alguns dias para revisá-los. Com a mente fresca, verifique de que ele está preenchido do início ao fim (sem campos importantes em branco), sem erros ortográficos ou abreviações (estas podem dificultar a compreensão). Muitos alunos acham mais fácil revisar uma cópia impressa.

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Navegar na internet não é uma atividade extracurricular, e ir à academia do seu condomínio também não. É importante avaliar se as atividades esportivas ou artísticas, organizações estudantis e trabalho voluntário são pertinentes ao seu application.

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Respeite limite de palavras (mínimo e/ou máximo) para as redações. Assim como ter conhecimento para discorrer de forma extensiva é importante, saber expô-los de forma concisa também o é.

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Certifique-se de mandar TUDO o que foi pedido pela universidade, prestando atenção especial aos materiais complementares. Às vezes, eles tomam tanto tempo para preencher ou redigir quanto o próprio formulário.

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Por outro lado, não mande materiais que não foram pedidos. Embora muitos alunos pensem que isso possa fortalecer sua candidatura, acaba parecendo uma demonstração de desorganização para os departamentos de admissão.

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Acima de tudo, mantenha a calma. Conforme os prazos se aproximam, é comum que os candidatos se afobem e, na correria, pulem etapas ou negligenciem aspectos importantes dessas etapas. Lembre-se de que toda essa correria tem apenas um objetivo: enviar a melhor candidatura possível e, quem sabe, ser aceito em uma universidade americana.

Gente como a Gente II

Na semana passada, começamos a contar a história da Gabriela, a partir do momento do “sim”.

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Agora, conforme prometido, trazemos a vocês o final feliz:

Tudo sobre como a Gabi escolheu a universidade certa

Eu acho importante, numa situação de indecisão, adotar três modos de funcionamento: pesquisar, ouvir e sentir. Não é incomum ter uma “gut reaction” (um instinto) que faz com que você penda pra uma universidade mais do que para outra (ou para outras) assim que você recebe os resultados. Às vezes isso é resultado de um foco seu em alguma das universidades; você botou na sua cabeça há uma semana ou um mês ou um ano que aquela era a sua dream school e portanto seria estúpido não escolher aquela, já que ela tem “tudo a ver” com você. Em outros casos, o que causa essa gut reaction não é a sua identificação com a ideia que você tem daquela instituição, mas a fama dela. Você sabe que ela é reconhecida e portanto sente que é sua obrigação escolhê-la, já que “todo mundo” sabe que aquela é “a melhor”. Em outras palavras, você se sente na obrigação de escolher aquela, como se preteri-la em face de outra fosse irresponsável, como se fosse estúpido. Qualquer que seja o motivo da sua gut reaction, acho importante que você a leve em conta, mas tentando buscar as origens dessa reação (por que eu sinto que deveria ir para ela? (ou) o que nessa universidade me leva a pensar que ela combina mais comigo? (ou) por que tanta gente acha que essa é a melhor universidade?) e ponderá-las. Se em muitos casos a gut reaction indica uma vontade de ir para certa universidade, ou uma preferência por uma universidade, em outras ela indica apenas um senso de obrigação, ou um apego a uma projeção sua do que aquela universidade representa.


Eu aconselho que você não descarte a
gut reaction, mas que tampouco descarte as universidades que o seu “eu impulsivo” deslocou para o segundo plano. Eu tive uma gut reaction quando recebi meus resultados, mas tentei mesmo assim ser aberta para uma possível virada de jogo no meu processo de decisão. Se por um lado isso tornou minha escolha muito mais difícil, mais cansativa, e menos óbvia, por outro isso fez com que eu ficasse muito mais confiante na minha escolha, porque, tired studentapesar da hesitação (que antes era ausente) eu sabia que tinha exaurido todas as possibilidades e levado em conta todos os fatores. Foi uma well-informed decision. A primeira coisa que fiz para balancear minha reação emocional foi pesquisar mais sobre ambas as universidades, para testar se minha reação racional seria compatível com a emocional. Procurei me informar sobre diferenças e semelhanças acadêmicas e sociais de cada, e busquei estatísticas sobre os alunos e ex-alunos das universidades. Assim, minha reação racional em parte confirmava minha reação emocional, mas em parte a desafiava. A pesquisa fez com que eu quebrasse alguns estereótipos que eu tinha das universidades e portanto introduziu o elemento da dúvida na minha decisão, e essa dúvida era presente o suficiente para que eu respondesse “não sei, não tenho certeza…” quando me perguntavam se eu sabia para qual das duas iria.

Entrei então numa segunda fase. Eu já sabia tudo o que precisava saber sobre cada universidade, os pontos fortes e fracos de cada, o que eu aproveitaria melhor em uma do que na outra, o que parecia “faltar” em uma ou na outra. Era hora de largar a internet com o collegeboard, as páginas das universidades e a wikipedia e partir para as pessoas reais. Entrei em contato com alunos e ex-alunos de ambas, e com pessoas que as conheciam melhor que eu. Perguntei muito e ouvi muito de volta e o elemento humano foi um fator essencial para a minha escolha. Foi necessário me afastar de fatos, que já não me ajudavam em muito, e me aproximar de opiniões (claro, colocando essas opiniões em contexto e dando a cada uma delas o peso que cada uma deveria ter). Há muito que você ouve das pessoas que não vai encontrar em panfleto nenhum, e a conversa é o único canal por meio do qual você consegue distinguir imagem de realidade, ou em outras palavras, quais ideias que você tem da universidade são compatíveis com o que ela de fato é e quais ideias não são justificáveis – afinal, em certa medida os estereótipos sobre as universidades costumam sim ter um fundo de realidade (“campus vibe”), o ponto é que nem sempre aqueles estereótipos são proporcionais a esse  fundo. Eu havia por exemplo escutado que em Penn as pessoas eram mais career-oriented e que se focavam muito na área de business; descobri mais tarde que era possível ter uma boa experiência em Penn e se identificar com a universidade se você escapasse a esse perfil, mas que de fato esses dois traços eram bastante presentes e facilmente identificáveis na universidade, se comparada a outras.

Finalmente, depois de muito ler e muito ouvir, migrei para o terceiro estágio do meu processo de decisão: sentir, mas um sentir agora contextualizado. De certo modo, o que fiz foi tentar reconhecer em mim uma gut reaction pós-pesquisa e pós-diálogo, ou seja, perceber como eu me sentia agora que eu não só sentia, mas também sabia. No meu caso, tudo o que eu descobri via pesquisa e via escuta acabou, no todo, mais por confirmar minhas primeiras impressões do que por refutá-las.  Eu pendia para a mesma universidade, em certa medida pelos motivos iniciais, em certa medida por outros motivos.

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Escolhi Brown depois de pensar duas, três, quatro vezes, e ainda repensei muito minha decisão depois de selecionar a opção “aceitar”. Se no começo eu me perguntava superficialmente se aquela teria de fato sido a melhor opção possível para mim, eu nunca cheguei a duvidar do fato de que eu estava feliz com a minha decisão – eu confiei na “eu” que havia decidido por Brown. Eu nunca vou saber se Brown foi “a melhor decisão possível” para mim porque eu nunca terei a chance de testar Penn, mas o ponto é que eu não sinto necessidade nem vontade de fazê-lo e, se dada a chance de escolher novamente, eu escolheria Brown, Brown e Brown de novo. Depois dos perrengues de adaptação a uma nova cultura (nacional, linguística e universitária), eu percebo que, fora do Brasil, aqui em Brown, eu amadureci e estou amadurecendo, aprendi e estou aprendendo, conheci e estou conhecendo gente que aguça minha curiosidade e induz meu senso de questionamento. Sobretudo, mudei e estou mudando e percebi que há partes de mim que persistem, partes que são transientes e partes que ainda nem descobri, e isso é, para mim, o suficiente para me dar a certeza de que a escolha que eu fiz foi uma boa escolha, e uma prova de que vale a pena se dar ao trabalho de me perguntar, minuciosa e cuidadosamente, o que precisamente eu quero para mim.

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